Coronavírus: Minas tem mais de 21 mil casos confirmados e 475 mortes | Minas Gerais

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Ao todo, o estado registrou 707 novos diagnósticos positivos e 21 novos óbitos desde a véspera. Outros 220 óbitos seguem em investigação.

Ainda segundo o balanço deste domingo, 28.564 foram feitos testes para a doença até o momento – 487 a mais em relação à véspera.

A secretaria também informou que 11.156 pacientes se recuperaram da doença no estado desde o início da pandemia, 2.753 ficaram internados em hospitais e 9.950 ficaram em isolamento domiciliar.

A SES parou de divulgar o número de casos suspeitos da doença que, segundo dados mais recentes, passava de 101 mil.

Estação do Move, em Belo Horizonte, é desinfectada — Foto: Odilon Amaral/TV Globo

O município com mais casos da doença é Belo Horizonte (3.358), com 67 mortes, seguido de Uberlândia (2.138) e Juiz de Fora (842).

Ao todo, já houve ao menos um caso de coronavírus em 569 municípios mineiros – mais de 65% do estado.

As 21 mortes confirmadas nas últimas 24 horas ocorreram nos seguintes municípios:

•Araxá: mulher, 78 anos

•Belo Oriente: homem, de 93 anos

•Contagem: mulher, de 97 anos

•Governador Valadares: mulher, de 73 anos e homem, de 58 anos

•Inhapim: homem, de 84 anos

•Ipatinga: mulher, de 66 anos e homens, de 54 e 80 anos

•Janaúba: mulher, de 55 anos

•Lambari: homem, de 51 anos

•Lontra: homem, de 67 anos

•Nova Porteirinha: homem, de 53 anos

•Rio Espera: home, de 29 anos

•Senador Modestino Gonçalves: mulher, de 70 anos

•Teófilo Otoni: homem, de 68 anos

•Ubá: homem, de 63 anos

•Uberaba: homem, de 69 anos

•Uberlândia: mulheres, de 64 e 73 anos e homem, de 70 anos

No dia 28 de maio, o G1 mostrou, em levantamento exclusivo, que as mortes demoram em média uma semana para entrar no boletim da Secretaria de Estado de Saúde, com casos que chegam a levar 68 dias.

A maioria dos pacientes que morreram em decorrência do novo coronavírus são homens: 54% do total. E idosos: 73% tem mais de 60 anos. Além disso, 85% dos óbitos ocorreram em pacientes que já tinham fatores de risco, principalmente hipertensão, diabetes e doença cardiovascular.

Outros fatores de risco registrados foram pneumopatia, doença renal, transtornos mentais, doença neurológica, tabagismo, neoplasia, hipotireoidismo e doença genitourinária.

No início da pandemia, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) informava qual era a comorbidade de cada paciente que havia morrido com a Covid-19. Em abril, no entanto, a pasta parou de informar. Questionada, a SES disse que, pela "possibilidade de ocorrência em municípios de pequeno porte", "os pacientes podem ser facilmente identificados, quando descritas características específicas". "Assim sendo, no intuito de mantermos a confidencialidade das informações fornecidas pelos pacientes e/ou familiares, passamos a não mais divulgar o descritivo detalhado de informações por paciente".

O município com mais mortes até agora foi Belo Horizonte, com 67. Em seguida, Juiz de Fora, na Zona da Mata, com 38 óbitos, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com 34.

Conheça a seguir as histórias de alguns desses pacientes que não resistiram ao coronavírus em Minas:

Morador de rua vítima da Covid-19

Adilson Goulart era usuário de drogas e vivia nas ruas de Belo Horizonte há anos. Ele morreu de Covid-19, no dia 5 de maio, aos 38 anos.

“Me ligaram da Santa Casa para me avisar que ele tinha sido internado com Covid-19. A minha ficha não caiu, sabe? Ainda não chorei direito”, disse Valter, irmão mais velho de Adilson.

Os irmãos perderam os pais e os avós muito cedo. “Adilson era brincalhão, inteligente, prestativo, chorão (risos). A vida foi muito ruim com ele. Ele foi para o caminho errado. Sofreu demais, sofreu demais”, lamentou.

Única foto de Adilson Goulart que morreu de Covid-19 aos 38 anos — Foto: Valter Goulart/Arquivo pessoal

Após a morte do irmão, Valter começou uma peregrinação para conseguir sepultar o irmão.

“Ele não tinha documentos. Até eu achar a certidão de nascimento dele demorou muito. Aí o corpo foi levado para o IML. Para liberar eu tinha que identificar. Muito triste ver meu irmão daquele jeito. Sem roupa, envelhecido”, contou.

Quando estava internado, a preocupação de Adilson era o cachorro que vivia com ele. “Os companheiros dele de rua ficaram tomando conta”, disse Valter.

Casal morre com dez dias de diferença

Antônio Borges dos Santos, de 95 anos, e Luiza Francisca Pereira, de 89 anos, costumavam tomar sol juntos na varanda de casa em Rio Manso, cidade com pouco mais de cinco mil habitantes, na Região Central de Minas Gerais.

Antônio e Luiza morreram com dez dias de diferença — Foto: Arquivo pessoal

“Quando minha avó soube da morte do meu avô disse que não ia conseguir viver sem ele. Aí ela piorou muito”, disse Lívia Luiza de Oliveira Borges, neta do casal.

Os dois tiveram 13 filhos, dois deles faleceram. Deixaram 30 netos, 33 bisnetos e cinco tataranetos.

“Estavam sempre juntinhos e abraçados. Não podiam ver que estávamos vigiando que rapidinho paravam de abraçar. Foi bem difícil perder os dois em tão pouco tempo”, disse Lívia.

Primeiras mortes em Minas

No dia da morte de Marlene, sua nora fez um desabafo emocionado em uma rede social:

"Gostaria imensamente que os governantes fossem mais respeitosos com cada vida ceifada e sufocada pelo coronavírus. Sr. Ministro Mandetta se mantenha técnico e firme, não se deixe abater por ignorância. Mais amor e mais empatia", escreveu ela.

Morte de Marlene foi confirmada pelo médico do Biocor — Foto: Reprodução Redes Sociais

O segundo morador de Belo Horizonte que morreu com exame positivo para a Covid-19 foi o Darcy Gomes Parreiras, de 66 anos, que estava internado no Hospital Semper e morreu três dias depois de dar entrada, em 30 de março. Ele tinha cardiopatia e diabetes mielitus.

Darcy Gomes Parreiras — Foto: Arquivo pessoal

Mortes que demoram a ser confirmadas

Como o G1 mostrou em 19 de maio, houve casos de demora de até 42 dias para uma morte por coronavírus ser divulgada pelo governo do estado.

Gilberto Loiola e Carina Loiola. — Foto: Arquivo pessoal

O senhor Gilberto gostava de viajar e sua última viagem foi um cruzeiro até o Caribe, com a sua esposa e com os sogros da filha Carina Loiola, no começo março. Naquela época, a família acreditava que a doença estava longe, como afirma a filha dele, que, além do pai, também perdeu o sogro com a Covid-19.

"Nós acreditávamos na doença, mas como os números ainda eram baixos no Brasil, principalmente na nossa região, a gente achava que estava longe".

O casal chegou de viagem no dia 15 de março e no dia 18, Gilberto começou a sentir alguns sintomas leves, como febre baixa e foi para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Poços de Caldas, mas os médicos falaram para voltar para casa.

Carina também perdeu o sogro, Nilton Augusto Flores, para a doença. Ele viajou no mesmo cruzeiro que o Gilberto e foi internado no dia 27 de março.

"Nós sabíamos do coronavírus, mas quando eles foram viajar, ainda não tinha muitos casos da doença no Brasil e o local para onde eles iriam não tinha nada. A operadora do cruzeiro prometeu que iria haver fiscalização. Então ficamos mais seguros", relatou Carina.

Nilton Augusto Flores também morava em poços de Caldas. — Foto: Arquivo pessoal

Pacientes sem nenhuma comorbidade

Outro paciente que não tinha qualquer comorbidade ou doença prévia era um morador de 72 anos da cidade de Ouro Fino, no Sul de Minas. Ele teve início de sintomas, com febre, no dia 21 de março. Foi internado no dia 24 e morreu no dia 31 de março. O exame confirmando que ele estava com a Covid-19 saiu neste domingo, 5 de abril.

Segundo a assessoria da Prefeitura de Ouro Fino, João Batista Bueno filho morava na zona rural e apresentou os sintomas após uma viagem de cruzeiro no Ceará, onde estava com a esposa.

Prefeitura de Ouro Fino confirma que homem de 72 anos morreu por Covid-19 — Foto: Reprodução EPTV

E, no dia 5 de maio, morreu uma mulher de apenas 39 anos, moradora de Teófilo Otoni, que também não tinha nenhum fator de risco.

Dizia que doença era 'coisa da mídia'

“Infelizmente, meu pai não levou isso a sério, ele dizia que era coisa da mídia. Quando resolveu viajar, eu o alertei para não ir e mesmo sabendo dos riscos, ele foi porque não acreditava na doença. Meu pai era 100% saudável, não tinha problema de saúde e tinha feito um check-up recentemente”, afirmou o filho do paciente.

Na madrugada do dia 17, Cláudio Ricardo começou a sentir os primeiros sintomas da doença. O idoso foi internado no hospital Aroldo Tourinho no dia 27 de março e entubado dois dias depois. Ele morreu no dia 1º de abril. Sua família está em isolamento e sendo monitorada.

Cláudio Manoel Ricardo estava internado no Hospital Aroldo Tourinho — Foto: Arquivo pessoal

Acreditava na doença e se cuidava

"Ele acreditava na doença por tudo que via na televisão, praticamente não saía, usava máscara e não recebia visitas", conta o filho.

Joaquim tinha 75 anos e morava na zona rural de Espinosa — Foto: Luís Paulo Ponte / Arquivo Pessoal

Joaquim foi internado em maio em Espinosa, com diagnóstico de infecção urinária grave e sem suspeita de Covid-19. Inicialmente, ele se queixava de fraqueza. Luis e a irmã se revezam como acompanhantes no hospital.

Como houve piora do quadro, o pai deles foi transferido para uma unidade de saúde em Janaúba (MG).

“Ele pediu para que eu ligasse para minha mãe e falou com ela que ia, mas voltava logo”, fala o filho.

Como já estava com o pai em Espinosa, Luis foi junto para o segundo hospital e permaneceu no mesmo quarto que ele. “Morreu nos braços”, emociona-se ao lembrar.

Durante a internação Joaquim teve febre e precisou de oxigênio para respirar. Ele tinha asma e bronquite desde 1993.

Logo após o falecimento o filho foi informado que o pai tinha testado positivo para coronavírus, por meio de um teste rápido. Por se tratar de óbito, foi feita uma investigação e a confirmação da Covid-19 foi divulgada em junho pela prefeitura.

Os familiares ficaram isolados e não foram submetidos a exames por não apresentarem sintomas. Joaquim deixa 20 filhos, 40 netos e cinco bisnetos.

Técnica de enfermagem foi a primeira vítima da Covid-19, em Contagem